Governo impulsiona produção de algodão depois de ter reabilitado a indústria têxtil

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O ministro de Estado para a Coordenação Económica relacionou a reabilitação das indústrias têxteis com a revitalização da produção de algodão, ao liderar um acto de entrega de 50 parcelas de terra a igual número de produtores no Perímetro Irrigado da Quipela, nos arredores do Sumbe, Cuanza-Sul.

No projecto, na fase inicial implantado sobre 50 hectares da comuna da Gangula, o Governo cede terras e prevê, além de outros meios, infra-estruturas de irrigação à meia-centena de camponeses que associam a produção de algodão à de subprodutos como cereais, leguminosas, hortícolas e fruteiras.

Manuel Nunes Júnior indicou, ao dirigir-se aos beneficiários, que o projecto constitui uma aposta do Executivo na solução da multiplicidade das questões que se colocam ao crescimento económico de Angola, onde a produção de algodão foi introduzida no Século XVI, dando lugar a uma colheita de 86 mil toneladas que, em 1973 situou entre os principais produtores do mundo.

“O arranque do Perímetro Irrigado da Quipela vem dar o sim ao chamado do Executivo sobre a importância de mudança da estrutura económica do país, que ainda é dependente  dos hidrocarbonetos”, declarou o ministrio para ilustrar as expectativas do Governo.

Manuel Nunes Júnior insere o projecto nas medidas económicas tomadas pelo Executivo para alavancar o crescimento, depois de o país ter enfrentado um período de recessão, um processo de recuperação em que o Estado pretende mudar a estrutura económica do país por via do Programa de Privatizações e reaproveitamento das infra-estruturas paralisadas, com destaque para fábricas têxteis e outras, que actualmente estão ao serviço das populações. 

Efeitos multiplicadores

A reabilitação das indústrias têxteis e a revitalização da produção de algodão são duas componentes que se interligam, uma vez que com a matéria-prima disponível no país vai garantir uma produção sustentável.

“Com as indústrias têxteis a funcionar com eficiência, vai ser possível reduzir, nos próximos tempos, a importação de vestuário no país, diminuindo a pressão sobre as nossas divisas e melhorando a balança económica do país”, prevê o ministro, apontando, como outro ganho, a geração de empregos, sobretudo dos jovens no meio rural.

Destacou que a valorização dos subprodutos do algodão, para a produção de óleo alimentar e ração animal para o mercado nacional, constitui a outra aposta do projecto da Quipela.

Para o efeito, garantiu a continuidade da trajectória de crescimento e desenvolvimento para os próximos anos. “Temos de perseguir com as acções desta natureza, que aumentam  a nossa capacidade produtiva e vão tornar a nossa economia mais forte, diversificada, eficiente e dinâmica”, concluiu.

Segundo informações na mesma ocasião avançadas pelo governador do Cuanza-Sul, Job Capapinha, o projecto do Perímetro Irrigado da Quipela levou 13 anos a ser concretizado.

“O arranque do Perímetro Irrigado da Quipela, que teve o seu início em 2006, com a primeira fase concluída em 2009, mas só volvidos 13 anos podemos dizer que valeu a pena o sacrifício”, disse.

O projecto está concebido para abarcar uma área de cinco mil hectares, tendo 2.800 já disponíveis com sistema de regadio, propiciando a produção ininterrupta dos produtos preconizados.

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