Angola recebe da UE 275 milhões de euros

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Angola beneficia da União Europeia, através do instrumento de Cooperação para o Desenvolvimento e de Cooperação Internacional (Instrumento Europa Global), de um financiamento de 275 milhões de euros, dos 80 mil milhões afectados para a cooperação com países terceiros.

O valor destinado a Angola deve ser implementado entre 2021 e 2024 em acções que se concentram na diversificação económica, governação e desenvolvimento do capital humano, temas que, segundo a embaixadora da União Europeia em Angola, Jeannette Seppen, estão todos intimamente relacionados aos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e com a inclusão financeira.

“Mas, o compromisso da União Europeia com os ODS e com a inclusão financeira não começa hoje – a União Europeia já está a contribuir para dinamizar a inclusão financeira, com projectos que estimulam o entendimento e a participação das instituições financeiras no ciclo da economia”, observou Jeannette Seppen.

Como exemplo, a diplomata citou o projecto de Apoio no Acesso a Financiamento, denominado Envolver, que contribui para a capacitação e treinamento para acesso ao crédito direccionado para micro, pequenos e médios empresários e promove a literacia financeira.

Liderado pelo Ministério da Economia e Planeamento e implementado pelo INAPEM (Instituto Nacional de Apoio as Micro, Pequenas e Médias Empresas) em colaboração com a Agência para a Competitividade e Inovação de Portugal, o projecto Envolver abre portas para os empreendedores perceberem que tipo de soluções são oferecidas pelo sector financeiro a economia angolana, para criar uma maior facilidade de interacção técnica entre emprestadores e empreendedores e consequente promoção de uma diversidade na oferta de serviços e soluções comerciais e alargando exponencialmente a inclusão financeira.

Incentivados pelo desejo de contribuir na resposta à alta taxa de informalidade em Angola, que ronda 75,36 %, em média, e que ainda é mais alta entre as mulheres e jovens dos 15 aos 24 anos de idade, a União Europeia apoia também os esforços realizados pelo Governo angolano na formalização da economia e na diversificação através de várias iniciativas, observou Jeannette Seppen.

Segundo a embaixadora, a União Europeia já forneceu e trabalha na preparação de um seguimento de maior envergadura, de apoio orçamental directamente ao Orçamento Geral do Estado, para contribuir na realização do Programa de Reconversão da Economia Informal, que visa, entre os seus objectivos, promover a inclusão financeira dos agentes formalizados, através da utilização do Mobile Money, a facilitação de acesso às contas bancárias, apoio à criação das micro e pequenas empresas e acesso a micro-créditos.

Nesse respeito a inclusão financeira é de fundamental importância no desenvolvimento e sustentabilidade de um projecto empreendedor. Na Economia Informal, isso é ainda mais agudo, pois as microempresas informais não beneficiam do reconhecimento e da força necessários para se financiarem no mercado financeiro tradicional.

“Não quero terminar a minha intervenção, sem reconhecer a liderança demonstrada pelo Governo de Angola, com uma forte vontade de promover a inclusão financeira”, referiu Jeannette Seppen, quando indicou que, “para que isto aconteça, é necessário que todos nós, parceiros internacionais e angolanos, todas as partes interessadas do sector público e privado, se unam no esforço comum de promover essa inclusão, junto dos operadores informais”. A experiência internacional também mostra que é essencial incluir a inclusão financeira nas políticas sociais presentes na estratégia de desenvolvimento humano de Angola. “Somente através de uma cooperação integrada, que assegure as devidas sinergias entre as diferentes ferramentas e os diferentes mecanismos disponíveis, será possível atingir os ODS”, concluiu.

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